Copa, preconceito e a imagem que os argentinos deixaram para o mundo.
- Karina Pinto
- 20 de jul.
- 2 min de leitura

A Copa do Mundo chegou ao fim exatamente como costumam terminar os grandes torneios: um país celebra, outro chora. A Espanha ergue a taça. A Argentina volta para casa lamentando a derrota por 1 a 0 em uma final tecnicamente pobre, na qual criou muito pouco e praticamente não ameaçou o adversário.
O futebol resolveu quem era o melhor time. Mas há uma disputa que permanece aberta, onde ser vencedor é uma vergonha.
Ao longo da competição, torcedores argentinos protagonizaram episódios de manifestações preconceituosas que repercutiram dentro e fora dos estádios. Em vídeos publicados nas redes sociais, multiplicaram-se insultos dirigidos a diferentes nacionalidades, ofensas de cunho xenófobo e comportamentos incompatíveis com o discurso de respeito que a FIFA vem promovendo em todas as campanhas institucionais.
A FIFA gosta de apresentar o futebol como instrumento de inclusão. Antes das partidas, mensagens contra o racismo ocupam telões, transmissões de televisão e perfis oficiais. Capitães fazem gestos simbólicos. Autoridades discursam sobre diversidade.
Tudo isso é importante, mas aquilo que segue apenas no discurso de nada tem efeito prático na realidade do dia a dia, seja dentro ou fora dos gramados.
O combate ao preconceito não pode depender da nacionalidade do agressor nem da repercussão do caso nas redes sociais. Se uma entidade afirma adotar tolerância zero contra discriminação, essa política precisa valer para todos, independentemente do tamanho da seleção envolvida ou da força comercial de sua torcida.
Não se trata de responsabilizar um povo inteiro pelas atitudes de um grupo de torcedores. Generalizações são injustas e alimentam exatamente o tipo de preconceito que se pretende combater. A imensa maioria dos argentinos foi à Copa para apoiar sua seleção de maneira legítima e respeitosa.
Mas também não é aceitável fingir que nada aconteceu. Quando episódios preconceituosos são ignorados ou tratados apenas como "excessos da rivalidade", cria-se um ambiente de permissividade. A mensagem transmitida é simples: enquanto a bola estiver rolando, determinados comportamentos podem ser relativizados.
O futebol movimenta bilhões de dólares justamente porque desperta paixão. Mas essa paixão não pode servir de licença para humilhar pessoas por sua origem, nacionalidade, cor da pele ou qualquer outra característica.
A Espanha conquistou a Copa dentro das quatro linhas. A FIFA, porém, ainda precisa mostrar que é capaz de vencer outra partida: a da credibilidade no combate ao preconceito. Os títulos ficam para a história, a omissão também!



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