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Comunidade cobra justiça após espancamento e morte de cão em SC

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura
Imagem: "Orelha" cão comunitário é agredido até à morte em SC
Imagem: "Orelha" cão comunitário é agredido até à morte em SC

Seria, de fato, 2026 o novo 2016? Ou apenas mais uma moda passageira, dessas que resgatam memórias de uma década atrás e que, sem aviso, fazem a gente lembrar de episódios que não esperava ver se repetir.


Memória não é só o que a gente lembra. É o que a gente repete.


Eles não nasceram maltratando animais. Ninguém nasce sabendo onde acertar para doer mais. Ou rindo da dor alheia.


“Não conte a ninguém”, devem ter escutado os quatro adolescentes, em Santa Catarina, que agrediram um cachorro.


Não. Agrediram não. Espancaram. O Orelha, como era chamado o cão, foi vítima de um ato cruel.


Em paralelo a outro caso, de uma década atrás, esse raio caiu novamente no Brasil Não.


O raio, por mais mortal que possa ser, é inocente. É física pura. É caos inevitável — seja num para-raios, seja num campo de futebol, seja num pasto. Assusta porque vem de cima.


Mas, neste caso, o que foi mortal veio de quem caminhava na mesma calçada. Não foi acidental. Foi desumano.


Diferente do raio que caiu em Brasília, centelha pura, esses jovens, com uma vida inteira pela frente, gastaram energia batendo e batendo em quem não podia se defender.

Há dias, numa premiação cinematográfica, ouvi o ator Wagner Moura dizer que “se o trauma pode ser passado ao longo de gerações, valores também podem”.


Que valores ou traumas esses jovens vivenciaram, viram, sentiram, receberam?

E, pelo que li, diferentemente do episódio em Belém do Pará — onde um homem em situação de rua foi identificado e preso após jogar uma pedra em um cachorro — esses quatro jovens seriam de famílias ricas da capital catarinense.


Um deles teria sido mandado para a Disney. Não para refletir sobre o que fez, mas por puro afastamento, após um comportamento grave, covarde e bárbaro contra um animal.

Em Belém, não houve viagem. Houve contenção.


A diferença não é moral. É social.

A violência do pobre vira caso de polícia. A violência do rico vira constrangimento passageiro.


O Brasil faz isso há séculos: tenta apagar a memória, fragmenta a história, transforma fatos em versões que muitos passam a duvidar que tenham existido.

Não é sobre um cachorro. É sobre o que se ensina quando não se responsabiliza.


Traumas passam. Valores passam. Memória não é só o que a gente lembra.


Se é para não esquecer, que se cobrem juros altos — mas que haja responsabilização.

Hoje, quase nada do que a gente faz é secreto.


Fique de orelha em pé.


Por Ede Leite

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