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Paz nos discursos, privilégios no orçamento

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

No retorno das atividades parlamentares após o recesso de fim de ano, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, abriu os trabalhos com um discurso previsível: defendeu a “paz”, a “harmonia entre os Poderes” e com a mira no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou os conflitos e o que ele chamou de incitação à antipatia popular contra o Congresso Nacional.


A retórica institucional é até elegante, quase conciliadora. O problema é que ela não resiste ao confronto com a realidade. Basta ligar a TV, acessar as redes sociais ou simplesmente entrar em um grupo de mensagens para dar de cara com uma notícia negativa sobre o Congresso Nacional.


Nesta terça-feira (03) o próprio Congresso aprovou, de forma simbólica e sem debate aprofundado, uma gratificação que pode elevar em até 100% os salários de servidores do Legislativo, além de criar mecanismos que permitem o pagamento de benefícios fora do teto constitucional. A medida amplia despesas, pressiona as contas públicas e reforça a percepção de que parte do Parlamento opera em um universo paralelo. 


Criação de novos cargos, com quase 16 mil vagas. Reajustes salariais, que em alguns casos podem se aproximar de R$77 mil reais, além das novas gratificações e o que eles chamaram de modernização da carreira pública federal. Traduzindo: os maiores salários do país, quando o assunto é serviço público, vão ficar ainda maiores.


Quando Alcolumbre fala em “antipatia popular”, ignora que ela não nasce de discursos, mas de decisões concretas. Em um país que ainda é marcado por desigualdades, a aprovação de penduricalhos salariais para uma das estruturas mais bem remuneradas do Estado não é apenas um erro político: é um gesto de desconexão social.

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