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Liberdade de imprensa, mas onde?

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • há 14 minutos
  • 2 min de leitura

O Conselho de Comunicação Social (CCS) reconheceu, nesta terça-feira (05), o avanço da violência contra jornalistas no Brasil. Citou números, mencionou o assédio judicial, apontou a pressão exercida por autoridades. Em linhas gerais, a entidade está correta, o alerta é grave e necessário.


Mas, é impossível falar de violência contra jornalistas no Brasil sem citar os casos praticados por agentes públicos e agentes políticos. Ao tratar o problema de forma ampla, o CCS evitou encarar o óbvio: a violência contra jornalistas não está apenas “lá fora”, nas redes sociais ou nas ruas polarizadas. Ela também acontece com frequência dentro das próprias instituições que deveriam garantir a liberdade de imprensa.


Casos recentes mostram jornalistas sendo cercados, intimidados, empurrados e constrangidos dentro da Câmara dos Deputados. Situações registradas por câmeras, testemunhadas por outros parlamentares, ocorridas à luz do dia, e, ainda assim, sem reação proporcional à gravidade dos fatos.


Apesar de “esquecida” pelo conselho, a violência contra profissionais da imprensa praticada por parlamentares não se trata de episódios isolados. O que vemos, principalmente no Brasil pós-pandemia, trata-se de um padrão que usa o constrangimento público como ferramenta de enfrentamento político à imprensa.


O mesmo ambiente que produz discursos em defesa da liberdade de expressão tem sido palco de práticas que a corroem. O mesmo Parlamento que abriga conselhos preocupados com a segurança de jornalistas é, também, cenário de episódios de intimidação protagonizados direta ou indiretamente por agentes políticos.


Reconhecer que autoridades atacam jornalistas é um passo importante. Mas reconhecer, sem nomear, é também uma forma de minimizar responsabilidades. Quando não se aponta onde, como e por quem essas agressões ocorrem, o problema se torna mais fácil de ignorar.


Quando episódios de desrespeito acontecem diante de câmeras, sem constrangimento e sem consequências imediatas, cria-se um ambiente permissivo. A mensagem que se transmite é perigosa: a de que intimidar jornalistas pode ser aceitável no calor do embate político.


A liberdade de imprensa não se sustenta apenas em declarações institucionais ou relatórios alarmantes. Ela depende, sobretudo, de práticas concretas, especialmente por parte daqueles que ocupam cargos públicos e juraram cumprir a lei.



O Brasil já conhece os efeitos da deslegitimação sistemática da imprensa. Sabe como discursos hostis podem escalar para agressões físicas e campanhas coordenadas de ataque. Ignorar a origem institucional de parte desse problema é, em pleno 2026, inaceitável.

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