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Quando um país estrangeiro ataca o Brasil, de que lado devem ficar os políticos patriotas?

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • 3 de jun.
  • 2 min de leitura

As novas ameaças tarifárias de Donald Trump contra produtos brasileiros deveriam provocar uma reflexão profunda na disputa partidária no Brasil. Em momentos como este, a pergunta fundamental não é se alguém é de direita ou de esquerda. A pergunta é: quem está defendendo os interesses do Brasil?


A justificativa apresentada pelo governo norte-americano para atacar o PIX e questionar práticas comerciais brasileiras se mostra infundada. O sistema de pagamentos criado pelo Banco Central já é referência internacional justamente por reduzir custos, ampliar a inclusão financeira e aumentar a concorrência.


Não é difícil compreender por que o PIX incomoda determinados interesses econômicos. Durante décadas, sistemas de pagamento estiveram concentrados nas mãos de grandes instituições financeiras e empresas privadas, a maior parte delas, norteamericanas. O PIX alterou essa lógica. Ao oferecer transferências instantâneas e gratuitas para milhões de brasileiros, reduziu a dependência de intermediários e criou um modelo que passou a ser observado por diversos países.


Em um mundo cada vez mais disputado pela corrida tecnológica, minerais estratégicos como terras raras, lítio e nióbio ganharam importância geopolítica. O Brasil possui algumas das maiores reservas desses recursos no planeta. Dependentes da China, os Estados Unidos buscam alternativas desesperadamente, e o alvo é o Brasil.


Apenas isso não seria tão escandaloso assim, afinal, relações internacionais envolvem táticas que minam lentamente (ou não), políticas internas ao redor do mundo. O problema surge quando interesses externos encontram aliados internos dispostos a transformar disputas nacionais em instrumentos de guerra política.


A aproximação entre a família Bolsonaro e o movimento liderado por Donald Trump é pública e conhecida. Não há nada de ilegal ou ilegítimo em manter relações políticas internacionais. O que merece debate é outra questão: até que ponto uma aliança ideológica pode se sobrepor aos interesses nacionais?


Quando um líder estrangeiro ameaça exportações brasileiras, ataca instrumentos financeiros nacionais ou pressiona o país em temas estratégicos, espera-se que representantes políticos brasileiros defendam o Brasil. Não o governo de ocasião. Não um partido específico. O país.


A história mostra que nações soberanas não prosperam pela submissão a potências estrangeiras, mas pela capacidade de negociar em condições de autonomia. Foi assim que o Brasil construiu sua tradição diplomática ao longo de décadas, mantendo relações com diferentes blocos de poder sem abrir mão de seus próprios interesses.


O debate, portanto, não é sobre ser pró-Estados Unidos ou antiamericanos. Os Estados Unidos continuarão sendo um parceiro econômico e político relevante para o Brasil. A questão é outra: quando surge um conflito entre os interesses de Washington e os interesses brasileiros, de que lado deve estar um político eleito pelos brasileiros?


Num momento em que o país enfrenta pressões comerciais, disputas geopolíticas e tentativas de influência externa, o patriotismo não pode ser apenas um slogan de campanha. Ele precisa se manifestar na defesa concreta da soberania nacional, da economia brasileira e das instituições do país, ou não?

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