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Flávio Bolsonaro, Trump e o ataque ao PIX

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A recente declaração de Flávio Bolsonaro de que não pretende acabar com o Pix, chamando-o de “patrimônio brasileiro”, diz menos sobre compromisso com o país e mais sobre oportunismo político. Surge num momento de constrangimento crescente: o alinhamento da família Bolsonaro aos interesses de Donald Trump.


O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro virou alvo de críticas formais da Casa Branca, que o trata como uma suposta barreira comercial. Na prática, o incômodo é outro. O Pix ameaça interesses de gigantes financeiras e de tecnologia dos Estados Unidos ao oferecer um modelo público eficiente e, em grande parte, gratuito. Um sistema que reduz a dependência de intermediários privados e corta margens de lucro bilionárias.


Nesse cenário, o silêncio ou a ambiguidade de figuras do bolsonarismo diante das críticas externas expõe uma contradição difícil de esconder. O discurso patriótico, tão frequente, parece ter limite quando esbarra nos interesses de Washington. A ideia de que o “patriotismo acaba onde começam as ordens de Trump” não surgiu por acaso, reflete uma percepção cada vez mais presente no debate público.


Há ainda a tentativa de reescrever a história. Ao dizer que o Pix é um “legado” de Jair Bolsonaro, Flávio ignora fatos conhecidos. O sistema foi criado pelo Banco Central, com planejamento anterior ao seu governo e execução técnica conduzida por servidores da instituição.


A apropriação explicita de uma política pública bem-sucedida não é novidade, mas aqui ganha outro peso. O Pix se tornou essencial para milhões de brasileiros, ampliou o acesso ao sistema financeiro e reduziu custos. Não pertence a um governo nem a um grupo político. Pertence ao país. E justamente por ser eficiente, incomoda interesses externos.


E é aí que entra o ponto central: soberania. Assim como os Estados Unidos defendem seus interesses sem constrangimento, o Brasil tem o direito e o dever de proteger suas próprias soluções. Nenhum país aceita passivamente interferência externa em sua política econômica. Não há motivo para que o Brasil aceite.


No fim, a fala de Flávio Bolsonaro soa menos como defesa do Pix e mais como contenção de danos. Porque a questão já não é se o sistema vai continuar, é óbvio que ele já se consolidou. A questão é outra: até que ponto parte da elite política brasileira está disposta a colocar interesses nacionais em segundo plano em nome de alinhamento ideológico com líderes estrangeiros.


O Pix expôs algo maior que uma disputa política. Expôs a fragilidade de um projeto que, em nome da afinidade com Donald Trump, flerta com a perda de autonomia nacional, e isso é um risco para todos. Afinal, o que vem primeiro: os interesses do Brasil ou os de um grupo político?

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