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Jogadores africanos enfrentam fiscalização pesada nos EUA antes da Copa do Mundo 2026

  • Foto do escritor: Karina Pinto
    Karina Pinto
  • 8 de jun.
  • 2 min de leitura

O torneio que serviu como palco para disputas ideológicas, aproximações diplomáticas, e, em muitos momentos, para demonstrar que povos separados por guerras, religiões, culturas e sistemas políticos podem compartilhar o mesmo campo, as mesmas regras e a mesma paixão, se tornou espaço para atos de preconceito claro.


Submeter integrantes de algumas delegações a procedimentos migratórios mais rigorosos, e em alguns casos, vexatórios, lança uma sombra sobre aquilo que deveria ser a maior celebração esportiva do planeta.


É óbvio que todo país tem o direito de controlar suas fronteiras. Nenhuma nação abre mão de sua soberania em nome de um evento esportivo. A segurança nacional é uma responsabilidade legítima dos governos e não pode ser tratada com leviandade.


Mas, uma Copa do Mundo não é uma situação comum. Quando um país aceita sediar o maior evento esportivo do planeta, e em 2026, com 48 seleções, assume também uma responsabilidade simbólica perante a comunidade internacional. Durante algumas semanas, deixa de ser apenas uma nação para se transformar na porta de entrada do mundo.


É justamente nesse ponto que os Estados Unidos parecem desperdiçar uma oportunidade histórica. Nada que não fosse previsível com Donald Trump no comando. Mas, os excessos voltados a atletas de seleções africanas já está mais que evidente que algo não vai bem.


Em um cenário internacional marcado por conflitos armados, disputas geopolíticas e crescente intolerância contra imigrantes e minorias, a Copa de 2026 poderia representar uma demonstração de liderança baseada na abertura, na hospitalidade e no respeito às diferenças.


Ser sede da Copa não significa apenas organizar estádios modernos, entregar sistemas de transporte eficientes e operações de segurança sofisticadas. Significa também receber bem. Significa demonstrar ao visitante que ele é bem-vindo (mesmo que oficialmente não seja).


O esporte tem uma capacidade única de construir pontes onde a política frequentemente ergue muros. Durante uma Copa, torcedores de dezenas de nacionalidades convivem em espaços comuns, trocam experiências e descobrem que as diferenças culturais são muito menores do que imaginavam. Exemplos não faltam.


Nenhum torneio resolve conflitos internacionais, não se trata disso! Nenhum jogo encerra guerras. Mas o esporte cria oportunidades de aproximação que raramente existem em outros ambientes. Ele humaniza grupos, sociedades que muitas vezes são conhecidas apenas por estereótipos, notícias de violência ou disputas diplomáticas.


Quando atletas, árbitros ou torcedores passam a ser vistos antes como potenciais ameaças do que como convidados de um evento global, o espírito da competição perde força, e um elemento perigoso pode entrar em cena: a violência.


O que chamou atenção após o árbitro somali ser mandado de volta antes do evento, foi a postura da FIFA diante desses episódios. Ao afirmar que a entrada ou não de participantes é uma decisão exclusiva do país-sede, a entidade adota uma posição juridicamente correta, mas politicamente fraca.


A FIFA não controla fronteiras, mas controla a mensagem que deseja transmitir ao mundo. E essa mensagem deveria ser inequívoca: o futebol pertence a todos, independentemente da nacionalidade, da religião ou da origem de seus participantes.

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